quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nosso mundo paralelo



Ao entrarmos no nosso mundo paralelo
Não lembraremos do que deixamos lá fora.
Serei tua sem medo, sem reservas
E viveremos cada segundo deste amor
Que arde em nossos corações.
Que cada momento seja único, ímpar...
Que cada beijo tenha o calor do fogo...
Que cada toque queime como brasa...
Que cada olhar acenda as chamas da alma...
Não haverá segredo...
Os mistérios pouco a pouco serão desvendados
E seguiremos na mais inesquecível viagem da nossa história.
Uma viagem só nossa
A um lugar que ninguém jamais conheceu,
E nem conhecerá,
Pois somente nós dois teremos acesso
A este refúgio perfeito,
Esteja ele no fundo de uma masmorra, de um cárcere ou calabouço,
Ou dentre as árvores misteriosas da mais sombria floresta.
Tudo será completo, real e incomparável.
Viveremos a mais pura manifestação do amor,
Que será suave e quente como o vinho
Que nos esquenta nas noites gélidas de inverno.
Terá a beleza singela
Das noites frias de luar na beira do rio
E das músicas entoadas pelos imortais
Na celebração do eterno, do infinito.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Fênix





Como a fênix que revive após ter virado cinzas
Ressurjo em meio à escuridão
Caí
Me feri
Mas não permaneci prostrada
Ergui-me do lamaçal
Com a força digna somente dos que sofreram
Os primeiros passos são difíceis
Mas jamais desistirei da caminhada
Minhas vestes ainda estão sujas de sangue
E meu rosto ainda molhado com lágrimas
Mas sinto-me encorajada, segura
Meus olhos queimam
O coração arde
E eu... sigo nas sombras melhor do que nunca...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Lua




Noite escura
E ela brilha no céu
Quem é ela?
É a lua
Sim, a lua que resplandece
E ilumina a cidade adormecida
Ela, que outrora estava tímida entre a neblina
Agora reina com louvor
Com poder, esplendor...
Seu brilho é mágico
Sua luz é misteriosa
E é a única luz que meus olhos suportam
Sob sua luz, ó lua
Penso naquele que aprisionou minha alma
Arrebatou meu coração
E dividirá comigo
Toda a eternidade.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Não quero!!!!

Não quero ser um reflexo triste daquilo que facilmente se encontra em qualquer esquina.
Não quero ser uma cópia caricaturada dessa lamentável imagem padronizada entranhada em cada célula humana.
Não quero sorrir quando houver um nó entalado em minha garganta.
Não quero usar as roupas da moda se não for me sentir bem com elas.
Não quero deixar os cabelos crescerem até os pés só porque a grande maioria das pessoas prefere assim.
Não quero torrar debaixo de um sol escaldante num dia de verão só porque a famosa “marquinha de biquíni” está sempre em alta.
Não quero ouvir as músicas que todo mundo ouve (e vibra) se elas não tocarem verdadeiramente a minha alma.
Não quero escrever textos “bonitinhos” e otimistas se o meu interior não estiver (de fato) acreditando nas palavras escritas.
Não quero nutrir a hipocrisia, tampouco fazer parte dela.
Não quero...
Não quero ser apenas mais uma!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Veneno

Ouço o riso sarcástico da morte
Vejo seus olhos fumegantes
Lamento minha infeliz sorte
E carrego meu ser errante

Minha'lma sofre, abandonada
Presa está num lar vazio
A carne treme, apavorada
Reflexo do vento frio

O vento da separação
Que a alma da carne desprende
Chorar agora é em vão
E o véu da noite surpreende

Sinto a vida se esvair
E a morte, mordaz, vibra
E eu desfaleço aos poucos
Na presença desta víbora

Sinto o veneno correr
E ao meu sangue se juntar
O enlace do meu morrer
A aliança do meu pesar

Fecho os olhos, estou partindo
O veneno borbulha,
Estou sentindo
A morte ri, estou ouvindo

De súbito, acendo o olhar
A morte ruge, inconformada
Range os dentes ao se afastar
E eu respiro, aliviada
Sinto a vida de novo pulsar
A morte não levará nada

O veneno não foi bastante
Agradeço com uma prece
E levanto, sigo adiante
O que não me mata
Me fortalece

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os mistérios do amor

Há beleza na escuridão
Na tristeza de uma saudade
No vazio da lembrança de algo que nunca tivemos,
Mas sentimos falta.
A beleza vem do amor
Sentimento traiçoeiro,
Mas que causa calor...
Ele desperta em nós as sensações mais profundas,
Faz o coração pulsar com mais intensidade...
Mas também nos joga num abismo de dor, de falta, de indecisões.
Ele representa tudo de ruim e de bom em nossas vidas
Sua beleza é misteriosa
Está sob um véu que,
Embora possamos removê-lo,
Temos medo da descoberta.
Porém, se a coragem nos domina
Corremos o risco do desconhecido
E até podemos experimentar a felicidade.
Ah... Sentimento cruel, sádico...
Ah... Sentimento lindo, grandioso...
Até a dor que ele traz tem um "Q" de mistério
E os pecados cometidos em nome dele não são banais.
O amor queima
Como o vinho que desce pela garganta
E acende o coração.
É o fogo que fere, que marca...
Sim, o amor, seja ele representado de qualquer maneira
É capaz de marcar toda uma vida
Ah.. amor... quem descobrirá seus mistérios?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Queres saber quem sou?


Queres saber quem sou?
No oceano do meu coração
Guardo meus segredos
Muitos se perderam
Tentando me decifrar
Minha alma é doce, sensível
Meu sutil olhar pode te enfeitiçar
Quem mergulha em minhas águas
Se encanta com meus encantos
Sou menina, sou mulher
Qualquer coração quebranto
Preciso da proteção que acalenta
Do carinho que esquenta
E da base que me sustenta
Não mantenho os pés no chão
Sonhar nunca é em vão
E a insensibilidade me atormenta
Sofro, choro
Clamo, imploro
Derreto-me e derreto-te
Me apego, o amor me traz alegria
Mas posso ser escorregadia
Se não segurares forte minha mão
Tenho pensamentos insanos
Tenho pensamentos medonhos,
Só não pises em meus sonhos
Apresentando-me só razão
Já sabes quem eu sou?
Sou mulher de peixes
Sou emoção!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sonho ou realidade?

Em passos leves, quase que flutuantes, adentrei o castelo. Castiçais dourados e cortinas vermelhas faziam parte da decoração do salão principal. Ouvi uma música suave e automaticamente fui levada pelo som, até deparar-me com uma sala sombria, luxuosa e misteriosa. Não entrei. Contentei-me em apreciar a melodia por detrás da porta, temendo uma aproximação maior. Com os olhos fixos em apenas uma fresta, pude ver um distinto homem ao piano. A postura digna de um lord e a habilidade com que seus dedos passeavam pelas teclas do instrumento, despertaram em mim uma admiração hipnotizante. Aquela música me chamava e, sentindo-a invadir cada pedaço do meu ser, fechei os olhos e me deixei levar, sem medo. Ao abrir os olhos, me dei conta que estava no meio da sala, dançando. Senti-me envergonhada por um momento e decidi sair antes de ser notada pelo misterioso homem mas, ao recuar o primeiro passo, fui surpreendida pela voz mais majestosa que já tinha ouvido.

“Fique exatamente onde está!”

Um frio extremo invadiu o local e eu, mesmo se quisesse, não conseguiria mover um músculo sequer. Ele, por sua vez, levantou-se e foi se aproximando devagar, com os olhos fixos em mim. Um medo estranho foi tomando conta da minha alma e o estado de transe em que eu me encontrava, fazia de mim prisioneira daquele momento.

Ao chegar bem perto de mim, ele estendeu uma das mãos, convidando-me para dançar. Percebi, então, que a música continuava, mesmo depois dele ter se levantado do piano. Aceitei o convite, embora estivesse dominada pelo medo. Os olhos dele eram vermelhos e hipnotizantes. Sua pele era fria como o gelo, mas seu toque de alguma forma me acalentava suavemente. Aos poucos fui relaxando e, à medida que ele me conduzia pelo salão, fui sentindo-me leve como uma pluma ao vento. Fechei os olhos e pude sentir meu corpo flutuar. Tudo parecia mágico, irreal, encantado... e eu estava adorando cada sensação proporcionada.

Sem dúvida aquele era o momento mais sublime da minha vida e, por um instante, eu desejei do fundo da minha alma que ele fosse eterno. Fechei os olhos, numa entrega total e, naquele mesmo instante, senti toda energia do meu corpo sendo sugada. Não desfaleci completamente, mas fiquei tão fraca que mal podia suportar o peso do meu próprio corpo. Era como se o corpo estivesse morto, mas a alma estivesse ali, vendo tudo de fora. Ele me conduziu em seus braços até uma espécie de sofá que havia naquela sala. Ficou me olhando durante um tempo e depois beijou-me o rosto, acariciando-o. Em seguida, se afastou deixando uma rosa negra ao meu lado. Eu queria poder reagir e dar um sorriso em agradecimento, mas não consegui. Ele foi se afastando aos poucos e eu fui caindo em sono profundo.

Não sei quanto tempo dormi, mas acordei num sofá velho, numa sala empoeirada, cheia de móveis antigos cobertos por lençóis. Ao final da sala, um piano descoberto chamou a minha atenção. Antes de me levantar, notei que ao meu lado havia uma linda rosa negra. Dei um singelo sorriso e saí pela porta, carregando comigo a rosa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Calabouço da Alma




Escrevo do mais profundo calabouço da minha alma
Onde pensamentos perdidos vivem a assombrar meu ser
E, passeando por esse abismo do qual sigo cativa,
Nada encontro além de um vazio constante.
Sinto-me temporariamente sem inspiração
Amordaçada pelo pudor
Algemada pela dor e pela angústia
De buscar um “não sei o que” perdido
E, na escuridão da masmorra, sinto que enfrentarei a maior luta da minha existência
Travarei uma batalha contra minha própria natureza
E, na ausência de forças para resistir,
Certamente sucumbirei
E minha face humana cairá de joelhos perante minha face sombria
Abdicando a própria natureza
E, quem sabe assim, encontrarei a verdadeira essência
De ser, de fato, invencível.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Por Ti Desfaleço De Amor, Meu Lord



Meu coração estava batendo forte, o sangue fervia nas veias,
Sentia calor...
Podia sentir o fluxo sanguíneo pelas artérias
A vida pulsava
No espelho a face pálida, mas ainda tinha cor.
Me entreguei...
De corpo,
Alma,
E coração.
Sentia a respiração ainda ofegante,
Mas algo diferente estava acontecendo.
O corpo foi perdendo o calor...
A pele, a cor.
A respiração, que outrora era intensa,
Tornou-se estável até quase parar.
O sangue gelou,
Parecia ter parado de circular...
Já não mais sentia as batidas do meu coração
As forças foram sumindo...
E eu tremia...
Já era quase impossível sustentar meu próprio peso,
Senti-me fraca ao extremo,
Porém, senti prazer...
Um prazer, quem sabe, desconhecido pela maioria dos mortais.
Senti frio
E, quando o corpo ia desfalecer completamente num desmaio,
Pude ouvir novamente as batidas do meu coração.
E fui voltando a mim, aos poucos...
Algo meu foi transferido para ti naquele momento, meu Lord...
Algo meu está dentro de ti agora...
E, neste caso, o termo “um só”
Tem um sentido mais intenso....
Amo-te...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Vampiro

E contemplo um corpo inerte, sem vida, apagado
Uma face pálida, sem cor, sem viço
E uma pele fria como o gelo
Não deveria tê-la sugado até a morte
Mas deliciar-me com aquele sangue quente
Era demasiadamente sublime para um ser insaciável como eu
Eu, um ser insano e cruel, jamais me comovi perante uma presa
Mas agora encontro-me debruçado sobre um cadáver
Desejando trazê-lo de volta à vida
Eu, que sempre apreciei cadáveres como troféus,
Hoje quase choro a morte de uma bela dama
A morte que eu mesmo causei
Daria minha vida em troca, caso tivesse uma
Mas como não tenho, beijo sua boca num sinal de quase amor
E despeço-me, querida.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Quem é ele?




Quem é ele?
Que tem a pele fria
E o olhar hipnotizante?
Sua presença faz desfalecer
E a sua voz faz estremecer o coração dos mortais
Ele vive nas sombras
Não suporta a luz
Ele sai pela madrugada
Em busca da sua presa
E seu beijo pode matar
Ele não tem alma
E suga a essência da vida
Ele pode te dar prazer
Mas depois você vai morrer
Teria coragem, mortal?
Ele quer o néctar da vida
O sangue que corre em suas veias
Ele quer contemplar seu corpo sem vida
Gelado, inerte
Mas vou te contar um segredo:
Se, por sorte, você for escolhida por este Lord
Se acaso ele te beijar e não te matar
Comemore, saia em busca da sua presa
E desfrute dos prazeres da eternidade.

sábado, 15 de maio de 2010

Forever


Estenda sua mão, meu caro vampiro

E eu te seguirei, mesmo com os olhos fechados.

Deixarei que me conduza pelos seus tortuosos caminhos

Caminhos insanos, obscuros, fatais

Leva-me contigo pela imensidão do seu mundo

E invada-me a alma

Beija-me com a voracidade digna dos imortais

E eu sucumbirei aos seus encantos

E, se depois disso, restar-me ainda um pouco de vida

Dedicarei a ti... somente a ti...

Forever






quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sonho


Hoje tive um sonho diferente de todos. Sonhei que estava sozinha num deserto, agoniada. Era noite e o frio congelava meu corpo, inibindo até mesmo minha capacidade de raciocinar. Com os pés descalços e vestindo apenas um vestido branco, caminhei durante muito tempo sem fazer a menor idéia de onde estava indo. Tinha a sensação estranha de estar mergulhando num abismo frio, escuro e solitário. O barulho do vento, embora sombrio, parecia me guiar de alguma forma. Por um momento, experimentei uma liberdade até então desconhecida, mas admirável. Minhas pernas foram ficando meio fracas e cansadas, mas algo me sustentava e dizia: "encontre a rosa negra do deserto". Já não mais tinha o domínio sobre meu próprio corpo e me deixei ser levada por uma força maior, que me conduziu a um abismo no meio do deserto. À beira desse abismo, lá estava a rosa, brilhando na escuridão. Corri para pegá-la, mas a mesma desapareceu subitamente, me fazendo cair no abismo. O que parecia ser meu fim, converteu-se em alívio quando fui amparada por um cavalheiro de vestes negras, que parecia já estar me aguardando.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Seu sangue por uma rosa???

Pobre daquele que teme tocar a mais bela rosa do jardim
por causa de seus espinhos...
Pobre daquele que teme colher a rosa mais rara do mundo
Só porque ela encontra-se num jardim proibido...
Ora, não valeria a pena dar seu sangue por uma rosa, cavalheiro?

terça-feira, 23 de março de 2010

A Princesa em seu Castelo


Sinto-me sozinha em meu castelo
Castelo este que construí dentro de mim
Nele guardo meus segredos, meus sonhos, meus anseios...
Guardo minhas vontades, meus lamentos e minhas privações
Guardo também minhas lágrimas e minhas emoções...
Guardo meus sorrisos sem motivo, meu silêncio e minha dor.
Este castelo está dentro do meu coração
Está trancado
A chave só eu sei onde se encontra
E não pense que você, pobre mortal,
Achará a chave e adentrará no meu castelo,
Pois a chave não pode ser encontrada neste mundo material
Neste mundo de amores limitados,
De promessas vãs,
De palavras torpes,
De sorrisos falsos...
Onde coisas valem mais do que pessoas
E o que se diz é levado pelo vento.
Não encontrará a chave do meu castelo
Na beleza padrão onde seus olhos carnais se enganam...
Na beleza que um dia será decomposta...
Nem no sorriso falso de quem quer convencer,
Nem nas palavras doces que se vão
Antes mesmo do sol nascer.
Mas se insistir em entrar no meu castelo,
Se, por um instante, se achar capaz,
Terá que abrir mão das coisas banais...
Terá que sentir minha alma,
Viver minha dor, sorrir meu sorriso,
Enfim, terá que ser parte de mim.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O amor dos imortais

Sublime o amor dos imortais
Que amam com infinita beleza
Que trocam algo a mais
Que fluidos corporais
Trocam almas com pureza

sexta-feira, 5 de março de 2010

De: Afrodite Para: Apolo

Apolo,

Você não a odeia...
Você odeia o que ela fez...
Você a ama...
E eu sei disso como ninguém,
Pois já estive em seu lugar.
E, acredite, querido:
O ódio não anula o amor
E, muitas vezes, eles andam de mãos dadas...

Afrodite

segunda-feira, 1 de março de 2010

Coração que sangra


E o sangue se esvai
Quando o coração é transpassado pela lança
E a dor, embora não seja física,
Destrói a alma e a esperança
De um dia este pobre coração
Voltar a bater.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Darkness IX - Amor Eterno


Na noite seguinte, Sara saiu novamente pela floresta a fim de encontrar Herus. Não podia mais ficar um segundo longe de seu amor e, embora já tivesse sido advertida dos perigos da floresta, não tinha o menor medo de sair a procurá-lo. Foi andando devagar por entre as árvores até encontrá-lo solitário e pensativo recostado em uma delas.
- Herus!
- Sara! O que faz aqui?
- Estava te procurando, pois senti saudades.
- Já falei que não deveria andar sozinha pela floresta.
- Não tenho medo, meu amor. Quando se trata deste amor que sinto por você, sinto-me forte para enfrentar qualquer coisa, inclusive os perigos da floresta.
Herus deu um sorriso triste e acariciou suavemente o rosto de sua amada e, em seguida, deu-lhe um abraço forte. Ao afastar-se do abraço, ainda segurando suas mãos, ele disse:
- Querida, fico contente em saber que és corajosa, mas sinto dizer que está chegando minha hora.
- Como assim, meu amor? - perguntou desnorteada.
- Preciso seguir rumo à minha condenação e, para isso, terei que te deixar. Mas não ficará desamparada, pois o Ser que está acima de mim cuidará de você e lhe ensinará tudo o que precisa aprender nesta sua nova fase.
- Não estou gostando desta conversa. Que tipo de condenação é esta? - Sara perguntou começando a derramar lágrimas pelo rosto.
- Sara, eu sou um anjo e fui designado para te proteger, te guardar e te dar uma nova vida, caso você aceitasse morrer para tudo que existisse antes. Acho que cumpri bem o meu papel, porém cometi o maior erro que uma criatura como eu poderia cometer. Eu me apaixonei por você.
- Você não poderia se apaixonar por mim?
- De forma alguma, querida. Eu sempre pude todas as coisas, sempre tive muito poder em minhas mãos, porém jamais poderia ter tocado meus frios lábios nos lábios ainda quentes de minha protegida.
- Então quer dizer que você é um anjo e não um vampiro?
- Sim, eu não sou um vampiro. Sou Herus, o Anjo das Trevas. E não se preocupe, meu amor, pois você não se transformou numa vampira, embora faça parte do mundo obscuro dos anjos da escuridão agora.
- E qual será seu castigo por ter me beijado?
- Fui condenado a passar a eternidade no Vale das Sombras, o único lugar que nós, os imortais, tememos.
Sara o abraçou bem forte, chorando. Não queria largá-lo de forma alguma e, ao mesmo tempo que sentia uma dor enorme no peito por ter que se separar do seu amado, tinha raiva dele.
- Herus, se você sabia que receberia este tipo de castigo por me beijar, por que deixou que acontecesse? Você poderia ter evitado!
- Meu amor, eu prefiro ficar sozinho num vale sombrio por toda a eternidade do que ter que viver eternamente sem ter você pelo menos por uma vez. Beijar você, tocar você e sentir este amor tão puro vale mais do que qualquer coisa e, se o preço a pagar é tal condenação, que seja. Pelo menos cada dia solitário que irei passar naquele vale eu me lembrarei de ti e do quanto este amor valeu a pena.
Sara baixou a cabeça e pareceu entender que tudo realmente tinha valido a pena. Abraçou novamente seu amado numa despedida dolorosa e emocionante. Ao afastar-se, pôde ver a capa preta dele caindo no chão, deixando expostas as negras asas que ficavam por baixo dela. Naquele mesmo instante, Herus foi levado para o Vale das Sombras pelas criaturas da escuridão, deixando no chão para sua amada apenas uma rosa vermelha, não mais em botão. Sara seguiu para seu quarto escuro, e quando lá chegou, o espelho que ganhou de presente não mais estava quebrado, permitindo que ela visse seu reflexo perfeito e não mais uma imagem distorcida na escuridão.
E eles não viveram felizes para sempre, mas viveram cada momento de um amor que valeu por toda uma eternidade.
********** FIM **********